Diário RBN

ANTES DO PALANQUE, O SILÊNCIO. ANTES DA CANDIDATURA, A PERMISSÃO.

Existe uma beleza rara nas coisas simples.

A chuva que chega sem fazer alarde.

O vento que balança as árvores sem pedir nada em troca.

A mão que se estende antes da necessidade.

E existe também uma beleza quase esquecida na política: a capacidade de ouvir.

Foi essa beleza que o Doutor Uldurico Pinto resolveu resgatar.

Quando todos esperavam um anúncio, ele fez uma pergunta.

Quando muitos imaginavam um discurso, ele ofereceu uma escuta.

Quando o comum seria declarar uma candidatura, ele escolheu pedir licença.

Licença ao povo.

Licença à Bahia.

Licença àqueles que carregam nos ombros as esperanças, as dores e os sonhos desta terra.

Pelas mensagens de WhatsApp, pelos e-mails, pela internet e pelas conversas de rosto aberto e coração aberto, uma pergunta começou a caminhar pelos caminhos da Bahia:

“Vocês desejam que eu coloque meu nome à disposição para servir novamente?”

Não era uma campanha.

Não era um pedido de voto.

Era algo mais profundo.

Era um pedido de consentimento.

Um gesto de quem compreende que os mandatos não pertencem aos políticos.

Pertencem ao povo.

Em uma época em que tantos chegam anunciando certezas, Uldurico escolheu a humildade da dúvida.

Em uma época em que tantos falam em nome da população, ele decidiu primeiro ouvir sua voz.

Há algo de antigo e ao mesmo tempo revolucionário nessa atitude.

Algo que lembra os tempos em que a palavra dada tinha peso, em que a política era vista como serviço e não como destino pessoal.

Talvez por isso a iniciativa tenha emocionado tantas pessoas.

Porque ela parece contrariar a lógica dos nossos dias.

Em vez da imposição, a consulta.

Em vez da vaidade, a escuta.

Em vez da ambição, a autorização.

Como um viajante que para à porta de uma casa e bate suavemente antes de entrar, Uldurico bate à porta da consciência popular e pergunta se deve seguir adiante.

Não exige passagem.

Não reivindica espaço.

Não presume apoio.

Apenas pergunta.

E nessa pergunta existe uma grandeza que os discursos não conseguem reproduzir.

Existe respeito.

Existe delicadeza.

Existe democracia em seu estado mais puro.

Talvez os livros de ciência política não registrem esse gesto como uma teoria.

Talvez os manuais eleitorais não reservem um capítulo para ele.

Mas o coração das pessoas compreende imediatamente o significado.

Porque todos reconhecem quando alguém se aproxima com humildade.

Porque todos percebem quando alguém prefere ouvir antes de falar.

Porque todos sabem a diferença entre quem busca um cargo e quem pede uma missão.

E assim, antes dos palanques, antes das bandeiras, antes dos jingles, antes das multidões e dos votos, surge uma cena rara.

Um homem que já ocupou cargos importantes na República para por um instante diante da soberania popular.

E, com simplicidade quase poética, faz aquilo que talvez seja o mais democrático dos gestos:

Pede licença ao povo para sonhar junto com ele.

E, nesse instante, a política deixa de ser apenas disputa.

Transforma-se em diálogo.

Transforma-se em respeito.

Transforma-se em humanidade.

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