Durante anos, a gestão do prefeito Marcelo em Teixeira de Freitas navegou em águas tranquilas — tranquilas até demais. Sem fiscalização efetiva da Câmara, e com um ambiente político que mais parecia uma sala de espera silenciosa, o primeiro mandato seguiu sem grandes questionamentos. Mas, como diz o velho ditado, tudo que é demais uma hora transborda. E transbordou.
Agora, com a abertura de uma CPI assinada por oito vereadores, o cenário começa a mudar. O que antes parecia invisível virou pauta central: gastos de mais de R$ 35 milhões com limpeza pública em 2023. Um valor que, convenhamos, daria para deixar a cidade brilhando — ou pelo menos justificar melhor para onde foi parar.
O problema é justamente esse: a conta não fecha. O próprio Tribunal de Contas dos Municípios apontou inconsistências e disparidades nos valores, mas optou por uma postura curiosamente moderada — reconheceu o problema, mas deixou a conclusão para um “depois”. Um depois que nunca chega, claro.
Enquanto isso, a Prefeitura seguiu gastando cerca de R$ 98 mil por dia com limpeza urbana. Um investimento digno de cidades-modelo, mas que não parece ter se traduzido em transparência ou explicações convincentes. E aí entra a CPI: investigar não só os números, mas também possíveis abusos de autoridade, desvios de finalidade e até irregularidades na saúde.
A ironia? Agora que a fiscalização finalmente apareceu, o discurso muda. O que antes era silêncio virou defesa. O que antes era comodidade virou desconforto.
No fim das contas, a pergunta que ecoa nas ruas é simples: se estava tudo certo, por que tanto esforço para explicar agora?
A CPI pode não resolver tudo, mas já cumpre um papel importante: mostrar que, em política, até a paciência tem limite. E que, mesmo tardia, a fiscalização ainda pode incomodar — e muito.
Por Redação
